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APRESENTAÇÃO

  • 4 de mai.
  • 22 min de leitura

Atualizado: 2 de jun.


O Viralizando o Nordeste começou a ser pensado entre 2020 e 2021, quando eu trabalhava como motorista de aplicativo em São Paulo.


Naquele período, eu passava muitas horas dirigindo pela cidade. Levava pessoas para destinos que não eram meus. Saía de um bairro para outro, de uma região para outra, rodava bastante, mas sem uma direção própria. Essa rotina começou a me incomodar.


Foi nesse contexto que surgiu a primeira ideia do projeto. O carro, que até então era meu instrumento de trabalho, poderia ser também o meio para voltar ao Nordeste e percorrer os nove estados da região. Como o aplicativo permitia direcionar corridas para um destino, eu poderia escolher uma rota, pegar passageiros pelo caminho e usar parte do dinheiro para combustível, alimentação, hospedagem e outras necessidades da viagem.


Para verificar se isso era possível, fiz um primeiro teste. Direcionei as corridas de São Bernardo do Campo para Serra Negra. Saí por volta das 18 horas, fui pegando passageiros ao longo do caminho e cheguei por volta das 6 horas da manhã. A viagem direta teria sido mais rápida, mas o objetivo era testar o método. Cheguei ao destino com cerca de R$ 300 e o tanque cheio. Esse resultado mostrou que a lógica podia funcionar.


Foi a partir daí que a ideia do Viralizando o Nordeste começou a ganhar forma. A rota inicial previa a saída de São Paulo em direção à Bahia e, depois, a passagem por Sergipe, Alagoas, Pernambuco, Paraíba, Rio Grande do Norte, Ceará e Piauí, até chegar ao Maranhão e completar os nove estados nordestinos.


Eu não queria apenas sair de São Paulo e chegar ao Nordeste. A viagem serviria para conversar com passageiros, ouvir histórias pelo caminho, parar em cidades e comunidades onde já havia algum contato, registrar experiências locais e reencontrar educadores, militantes, conselheiros, comunicadores, lideranças comunitárias e pessoas ligadas a lutas das quais participei em nível nacional, como o Movimento Nacional de Meninos e Meninas de Rua e a Frente Nacional Contra a Redução da Maioridade Penal.


Sou filho de Dona Maria do Socorro, grande mulher que criou praticamente sozinha a mim, meus irmãos e minhas irmãs. Sobre meu pai, dizem que se chama José Saturnino Filho, mas não tenho como confirmar, pois o nome dele não consta nos meus documentos. Tenho poucas lembranças dele, porque deixou de nos visitar quando eu ainda era muito menino. Sou pai de Hernesto Gabriel, que desencarnou ainda bebê. Também sou pai de João Paulo, Hakim Mariguela e Samyra.


Minha trajetória passa pela infância pobre no Cariri, pelo trabalho precoce, pela migração forçada para São Paulo, pela vivência nas ruas, pela fotografia documental, pela comunicação popular, pela educação popular, pela atuação em direitos humanos, pela defesa da infância e adolescência, pelo Conselho Tutelar, pela cultura nordestina, pelo audiovisual e pela articulação social.


A proposta não era fazer uma viagem meramente turística. Desde o início, a ideia era voltar ao Nordeste a partir da minha própria história e produzir registros sobre comunidades, culturas populares, modos de vida, experiências de luta, práticas educativas, memórias locais e formas de organização popular.


A saída estava prevista para janeiro de 2022. Porém, em novembro de 2021, durante uma corrida como motorista de aplicativo, fui assaltado. Dois jovens armados levaram o carro que seria usado na viagem. O veículo estava sem seguro. Sem carro, sem meio de trabalho e sem condições de comprar outro naquele momento, o projeto foi interrompido antes mesmo da partida.


O projeto ficou parado por um tempo, mas a ideia continuou viva.


Depois do assalto, veio um período de reorganização. Minha irmã Clébia, que mora na Suíça, me convidou para ir para a Europa. Eu aceitei e fiquei três meses na casa dela. Depois fui para Portugal, onde morei com meu sobrinho Johnny, em Olhão, na região de Faro.


Em Portugal, trabalhei em uma sorveteria e depois em um restaurante. Permaneci lá por cerca de sete meses. Foi um tempo de trabalho, adaptação, saudade do Brasil, da minha família, das minhas crias, da minha mãe, das minhas irmãs, do meu irmão, dos sobrinhos, das sobrinhas, dos amigos, das amigas e das referências que faziam parte da minha vida cotidiana aqui no meu país. Também foi um período de reflexão sobre minha condição no mundo, expectativas, relacionamentos, espiritualidade e reforma íntima.


Depois desse período, decidi voltar ao Brasil.


No retorno ao Brasil, ainda precisei me reorganizar, procurar trabalho e reconstruir as condições mínimas para seguir em frente. Foi nesse período que reencontrei Maria da Cruz.

Nós nos conhecemos em 1995, em Brasília, durante o 4º Encontro Nacional de Meninos e Meninas de Rua. Na época, eu participava do Projeto Meninos e Meninas de Rua, em São Bernardo do Campo. Maria também estava ligada a essa luta e representava a delegação de São Paulo. Morávamos na mesma cidade, mas nos conhecemos em Brasília, dentro de uma agenda nacional de defesa da infância e dos direitos de meninos e meninas em situação de rua.


Quase trinta anos depois, nossas histórias voltaram a se cruzar. Eu estava de volta ao Brasil, tentando reorganizar a vida. Maria já trazia uma longa caminhada na educação pública, na gestão escolar, na pesquisa acadêmica, nos conselhos de educação, na Educação de Jovens e Adultos, na alfabetização, na formação de educadores e na pedagogia freireana.


Ela nasceu em Teresina, no Piauí. É filha de Maria do Céu e João Paulo, mãe de Fidel Castro, Juan Gusmaro e João Paulo. Sua história passa pela pobreza urbana, pela periferia, pela migração, pela maternidade, pela experiência no mesmo movimento nacional em que nos conhecemos, pela educação pública, pela gestão democrática, pelo Conselho Municipal de Educação, pelo CACS-FUNDEB, pela formação de educadores e pela escola pública como espaço de vida, conflito, cuidado e possibilidade.


Nas nossas conversas, falamos sobre vida, trabalho, estrada, educação, memória, infância, comunicação e projetos futuros. Maria falou de suas pesquisas, de sua experiência na escola pública, de sua relação com Paulo Freire e de sua vontade de seguir construindo ações ligadas à educação popular e aos territórios.


Quando falei do Projeto Viralizando o Nordeste, muita coisa se encontrou. O projeto tinha relação com a minha história, mas também conversava com a história de Maria: o Nordeste, a infância popular, a educação pública, a escuta das comunidades, a formação humana e a leitura crítica da realidade. Ela se animou com a possibilidade de seguir comigo nessa estrada. A partir daí, passamos a retomar e reorganizar o projeto em conjunto.


Em 2026, Maria foi convidada para apresentar os resultados preliminares de sua pesquisa no 15º Seminário Paulo Freire e no 13º Encontro de Cátedras e Grupos Paulo Freire, em Recife, Pernambuco.


Maria é mestranda do FORMEP — Programa de Estudos Pós-Graduados em Educação: Formação de Formadores, da PUC-SP. Sua pesquisa tem relação direta com a escola pública onde atua como gestora há seis anos.


Na ocasião, ela me convidou para acompanhá-la nessa atividade. A partir desse convite, propus que fizéssemos o percurso de carro. A ideia era chegar a Recife a tempo de participarmos do seminário e, ao mesmo tempo, realizar a primeira experiência prática do Viralizando o Nordeste na estrada.


Maria topou imediatamente, e começamos a organizar o que passamos a chamar de Esquenta do projeto. A prioridade era chegar a Recife a tempo de participarmos do seminário. Depois da atividade, seguiríamos até a Paraíba, onde Maria tem familiares e onde eu queria reencontrar Bráulio, que foi meu educando na adolescência e hoje mora em João Pessoa. Na volta, passaríamos pela Bahia, especialmente por Salvador, para reencontrar Dhay, amigo que conheci em Brasília nas lutas contra a redução da maioridade penal. A ideia era conversar com os dois sobre o Viralizando o Nordeste, fazer registros, buscar articulações e levantar contatos para a continuidade do projeto.


Assim nasceu o Esquenta do Viralizando o Nordeste.


Antes da saída, enfrentamos dificuldades familiares e de organização. Houve problemas de saúde na família de Maria, acompanhamento hospitalar e dúvida sobre a possibilidade de realizar a viagem. Mesmo assim, depois da melhora das situações mais urgentes, decidimos seguir.


Em maio de 2026, saímos de São Paulo para realizar o percurso planejado. A saída aconteceu na noite do dia 9, depois das atividades que cumprimos em São Bernardo do Campo e em São Paulo. No dia 10, por volta das 5 horas da manhã, chegamos a Belo Horizonte.


No dia 11, por volta das 14 horas, entramos no Nordeste por Urandi, na Bahia. Esse ponto foi importante porque marcou a entrada do Viralizando o Nordeste no território nordestino. Depois de anos com o projeto parado, era a primeira vez que a proposta começava, de fato, a ser realizada na estrada e em terras nordestinas, ainda que de forma preparatória.


A partir dali, seguimos às pressas rumo a Pernambuco. O seminário começaria no dia seguinte, e ainda faltava uma longa distância até Recife. Por isso, na ida, não conseguimos parar onde queríamos. O percurso exigia cálculo de tempo, combustível, descanso curto e atenção redobrada à estrada. Passamos por Sergipe na madrugada do dia 12, já cansados e com pouco tempo. Ainda pela manhã, seguimos por Alagoas. Infelizmente, esses dois estados entraram no Esquenta, dessa vez, apenas como passagem. Ficou uma dorzinha no peito por não parar, mas sabemos que, em um novo tempo, a parada virá.


Chegamos a Pernambuco no começo da tarde do dia 12, depois de muitas horas no volante. Recife era o primeiro destino estruturado do percurso. A chegada mexeu com a gente, porque ali começava a etapa do Esquenta com agenda definida, encontros, registros e articulações no território.


Chegamos a Pernambuco no começo da tarde do dia 12, depois de muitas horas no volante. Recife era o primeiro destino estruturado do percurso. A chegada mexeu com a gente, porque ali começava a etapa do Esquenta com agenda definida, encontros, registros e articulações no território.


Em Pernambuco, além de participarmos do seminário, começamos as primeiras conversas e articulações do Esquenta. Para Maria, o seminário foi um momento importante de encontro com debates sobre educação pública, formação de professoras e professores, políticas públicas, contradições da escola, resistências construídas no cotidiano escolar e referências ligadas ao pensamento de Paulo Freire. A presença da cultura pernambucana no evento também marcou essa etapa.


Nas conversas que fizemos durante o Esquenta, Maria chamou atenção para uma questão que dialogava diretamente com o projeto: a necessidade de mostrar também as potências dos territórios. Ela observou que as redes sociais costumam divulgar muito a dor, a violência e o sofrimento, mas deixam em segundo plano aquilo que o povo constrói no dia a dia: educação, cultura, trabalho, cuidado, organização comunitária e resistência.


No dia 13 de maio, conhecemos Jailson, do POESIS Grupo Cultural, morador do Alto José do Pinho, na Zona Norte do Recife. A partir desse encontro, ele nos acompanhou por alguns lugares da cidade. Tentamos localizar o endereço onde Paulo Freire teria nascido, passamos pelo Sítio Trindade, onde fica o Memorial da Democracia de Pernambuco, e depois seguimos para o Alto José do Pinho.


Na casa de Jailson, que também funciona como espaço cultural, conhecemos uma experiência de poesia, arte, educação popular, juventude e resistência comunitária. Ele nos contou a história do recital “Às Vésperas da Morte, H’Á Vida”, realizado na noite de 1º de novembro, véspera de Finados. Segundo Jailson, a iniciativa nasceu como protesto contra a presença do esquadrão da morte no bairro e contra as mortes provocadas pela falta de políticas públicas. A atividade acontece há quase vinte anos e consiste em atravessar a noite com poesia, rito, rua, partilha e gente reunida até chegar ao Dia de Finados com uma afirmação forte: o desafio é amanhecer vivo no Dia de Finados.


Essa conversa marcou o Esquenta porque mostrou uma cultura feita na periferia, pela própria comunidade. No Alto José do Pinho, a poesia conta a vida do bairro: denúncia, espiritualidade, juventude, luto, sobrevivência, arte e organização popular. O encontro com Jailson ajudou a ampliar o olhar do projeto para as histórias que podem surgir no caminho, a partir do convívio, da conversa, da escuta e da relação com as pessoas.


Ainda no dia 13, no período da noite, encontramos Júnior, coordenador estadual do movimento de meninos e meninas de rua em Pernambuco e companheiro de várias lutas. O encontro aconteceu no Centro POP, equipamento público voltado ao atendimento da população em situação de rua. Depois, Júnior nos levou até a sede estadual do movimento em Pernambuco.


Na mesma noite, seguimos para Olinda, onde acontecia uma atividade do EDPOPRUA — Curso de Aperfeiçoamento em Educação Popular em Saúde para o Cuidado da População em Situação de Rua, no Convento da Conceição. Como eu também havia feito o EDPOPRUA em São Paulo, aquele encontro retomou outra rede de formação e militância. Ali reencontrei pessoas conhecidas dessa caminhada, entre elas Alda, da Fiocruz.

Depois, Júnior nos levou aos Quatro Cantos de Olinda, ponto conhecido da cidade, especialmente ligado à circulação de blocos, troças, passistas e foliões durante o carnaval. No caminho, apresentou o Axé de Fala, bebida tradicional do carnaval olindense. Tentamos tomar, mas era muito forte.


Foi ali que encontramos Mestre Tonho das Olindas, nome público de Antonio José da Silva, referência da cultura popular pernambucana. Ele é artista, educador social, pedagogo, dançarino e mestre da cultura popular. Sua trajetória passa pela Casa do Guia Mirim, pelo movimento de meninos e meninas de rua, pelo frevo, pela capoeira e pela formação de crianças, adolescentes, jovens e adultos usando a cultura como meio.


Tonho também é reconhecido como discípulo de Mestre Nascimento do Passo e fundador do grupo Frevo, Capoeira e Passo, criado em 1985, no bairro do Guadalupe, em Olinda. Com ele, a conversa trouxe histórias da cidade, de Pernambuco e de sua própria vida. Aquele encontro nos aproximou de uma Olinda ligada à cultura popular, ao frevo, ao corpo, à rua, à educação, à infância, à luta social e à tradição transformada em formação.


Depois da noite em Olinda, voltamos à programação do seminário no dia 14. Pela manhã, Maria apresentou seu trabalho. A presença da professora Dra. Maria Eliete Santiago na sala teve um significado especial. Maria Eliete é uma referência importante da educação pernambucana e freireana, ligada à UFPE, à Cátedra Paulo Freire, à formação de professores, à educação popular e à defesa de uma escola democrática e humanizadora. Para Maria, apresentar sua pesquisa com essa presença na sala foi um momento de alegria e reconhecimento.


No começo da noite do dia 14, saímos de Pernambuco em direção à Paraíba. A estrada foi feita durante a madrugada. No dia 15, por volta das 2 horas da manhã, chegamos a Guarabira. Como já era muito tarde, pernoitamos em uma pousada e dormimos até por volta das 8 horas da manhã.


Depois seguimos para a casa de Dorinha, de seu companheiro Edivaldo e de Dona Maria de Lourdes, mãe de Dorinha e tia de Maria. Ali fomos recebidos com acolhida, comida, conversa e afeto. A passagem por Guarabira trouxe para o projeto uma dimensão mais familiar, ligada à história de Maria e ao reencontro com parte de sua família na Paraíba.


Ainda no dia 15, por volta do meio-dia, Dorinha nos acompanhou até o Sítio Santana, localidade rural do município de Areia, para encontrarmos Nicinha e suas filhas, Maria Rafaela e Maria Renata. Para Maria, aquela ida tinha relação com sua ancestralidade materna. Era uma volta a um território de família, onde estavam lembranças de sua mãe, de seus avós, do tio Pedro e de uma parte de sua história que continuava guardada naqueles caminhos.


Maria registrou que, ao passar pela cidade de Areia, chamou atenção a arquitetura conservada das casas, a pintura colorida dos imóveis, os comércios, cafés, brechós, bistrôs, restaurantes e residências da região central. Depois da cidade, seguimos por um trecho de estrada de chão, bastante prejudicado pelas chuvas recentes. O acesso era difícil, com buracos, trepidação e mato alto no caminho até o pequeno povoado de Santana.

No percurso, passamos por lugares cujos nomes também chamaram atenção de Maria, como Xande Jardim e Tabuleiro de Muquém. Depois, ela pesquisou esses nomes e relacionou Muquém a possíveis referências indígenas ou africanas, ligadas a espaços de fuga, refúgio e aquilombamento. Esse dado ainda precisa ser tratado com cuidado, mas mostra como o Esquenta também abriu perguntas sobre território, memória e ancestralidade.


Para mim, o caminho até o Sítio Santana também mexeu com lembranças da infância em Juazeiro do Norte. A estrada de chão, as casas simples, a roça, o acesso difícil e a paisagem rural trouxeram de volta imagens do Cariri. Naquele trecho, a ancestralidade de Maria encontrou a minha memória nordestina. A Paraíba da família materna dela conversou com o Ceará que eu carrego no peito.


No dia 16, por volta das 9 horas da manhã, saímos de Guarabira em direção a João Pessoa. Por volta das 11 horas, paramos para abastecer no Distrito de Pirpiri. Foi ali que encontramos crianças e adolescentes da Quadrilha Junina Danado de Bom, arrecadando recursos para participar do campeonato paraibano de quadrilhas durante as festas juninas.

Conversamos com Isabelle e Miguel, que explicaram a mobilização do grupo. A cena me chamou atenção porque me levou de volta à viagem que fiz, ainda menino, de Juazeiro do Norte para São Bernardo do Campo. Naquele tempo, vi famílias inteiras na beira da estrada ou no meio da pista: crianças, adolescentes, jovens, adultos e idosos tampando buracos com terra e barro para receber alguma moeda dos motoristas que passavam. Também vi pessoas vendendo animais silvestres, como papagaios e macacos, como forma de sobrevivência.


Trinta e quatro anos depois, em Pirpiri, a cena era outra. As crianças e adolescentes que encontramos estavam arrecadando apoio para a Quadrilha Junina Danado de Bom. Aquilo me marcou porque a estrada, que na minha memória de menino aparecia ligada à sobrevivência dura de famílias inteiras, agora me colocava diante de uma juventude envolvida com cultura, dança, tradição junina e organização comunitária. Ainda havia dificuldade e falta de apoio, mas havia também protagonismo, pertencimento e vontade de manter viva uma expressão popular do Nordeste.


Ainda no dia 16, por volta das 13 horas, chegamos a João Pessoa. Lá encontramos Bráulio, amigo que conheci em São Bernardo do Campo e que hoje mora na capital paraibana. Filho de família paraibana que migrou para São Paulo, Bráulio fez depois o caminho inverso e foi viver na Paraíba. Ele nos apresentou caminhos da cidade, contou histórias, indicou lugares importantes para o registro daquela etapa do projeto e nos apresentou Cássio Marques.


Cássio é geohistoriador, educador, escritor e pesquisador da memória local. Com ele, a passagem por João Pessoa ganhou uma leitura mais histórica e territorial. Conversamos sobre os nomes antigos da cidade, os sentidos dos lugares, os limites geográficos do Brasil e a diversidade da Paraíba. A ida à Ponta dos Seixas, na Praia dos Seixas, marcou esse momento. Ali registramos o ponto mais oriental das Américas, a proximidade simbólica com a África, a fala de Cássio sobre a diversidade do Nordeste, sobre ancestralidade, origem e linhagem materna.


No dia 17 de maio, depois da passagem por João Pessoa, seguimos em direção à Bahia e paramos em Fagundes, na Paraíba, na Pedra de Santo Antônio. Fomos recebidos por Dona Maria do Socorro, que vive e trabalha naquele território. Ela conversou conosco, falou sobre o lugar, o restaurante, a plantação, a roça, a comida, o frio e a serração da região.


Também conversamos com Dona Maria de Fátima, que trouxe elementos da memória local. A parada nos colocou em contato com a fé popular ligada à Pedra de Santo Antônio e com uma Paraíba de clima mais frio, úmido e serrano, marcada pela religiosidade, pelo trabalho, pela acolhida e pelas histórias de quem vive ali.


Ainda no dia 17, por volta das 22 horas, passamos por União dos Palmares, em Alagoas. Não foi possível parar. O lugar ficou como compromisso de retorno, pela importância histórica ligada à memória preta, à Serra da Barriga e às lutas quilombolas.


No dia 18 de maio, por volta das 10 horas da manhã, entramos na Bahia e paramos em Conde. Era o Dia Nacional de Enfrentamento ao Abuso e à Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes. Logo na entrada da cidade, encontramos uma ação da campanha, com pessoas uniformizadas e materiais de mobilização.


Conversamos com algumas pessoas da equipe, entre elas Viviane Quintela, secretária de Assistência Social de Conde, e Lúcia Dalva, ligada à coordenação da rede local de proteção, assistência social e direitos da criança e do adolescente. A conversa tratou da importância da campanha, das ações nas escolas, da mobilização nas ruas e da necessidade de proteção permanente, para além do 18 de maio.


Esse encontro dialogou diretamente com as nossas trajetórias na defesa da infância e adolescência e mostrou que a estrada também colocaria o projeto diante de campanhas públicas, redes de proteção e ações concretas de enfrentamento às violações de direitos.


Ainda no dia 18, por volta das 13 horas, chegamos a Salvador, no Largo da Saúde, na casa de Dhay Borges. A casa chamou atenção logo na chegada. Pela beleza do espaço, pelas cores e pela forma como se apresentava, parecia um centro cultural. Dhay nos recebeu com hospitalidade, abriu conversa e começou a nos apresentar uma Salvador preta, popular, histórica e marcada pelas religiosidades de matriz africana.


Depois da conversa inicial, fomos com Dhay ao Parque São Bartolomeu, no Subúrbio Ferroviário de Salvador. Lá conversamos com Vandison Teixeira, poeta, escritor, articulador e gestor do parque. Ele nos falou sobre o território, as trilhas, as cachoeiras, a Bacia do Cobre, a presença das religiões de matriz africana, a Praça de Oxum, os cuidados com as oferendas, a relação com o Quilombo do Urubu, a memória de Zeferina, os desafios de gestão e as atividades culturais realizadas no parque, como o sarau e os livros ligados à poesia.


A conversa com Vandison ajudou a olhar o Parque São Bartolomeu como território vivo: natureza, espiritualidade, cultura, educação ambiental, história preta, cuidado e disputa pelo direito à cidade. Ali encontramos uma Salvador popular, religiosa e ambiental, onde fé, cultura, luta e permanência se ligam às tradições afrodescendentes.


Depois do parque, voltamos à casa de Dhay. A convivência seguiu com Fabíola, sua companheira. A casa, que desde a chegada chamava atenção pela beleza, pelas cores e pelo ambiente de acolhida, funcionou como ponto de apoio, conversa e articulação para os próximos passos em Salvador.


Ao anoitecer, fomos ao Pelourinho. Caminhamos pelas ladeiras, ruas estreitas, largos, casarões, igrejas, comércios e espaços ligados à história preta, popular, religiosa, cultural e política de Salvador. No caminho, chamou atenção a Igreja de Nossa Senhora do Rosário dos Pretos. Um lugar que carrega a força da organização de pretos e pretas escravizadas que, mesmo diante de inúmeras violências, criaram uma irmandade para garantir a manifestação da fé, sepultamento minimamente digno, proteção e vida comunitária em uma cidade marcada pela escravidão.


Passamos pela Ladeira da Revolta dos Malês, referência ao levante de africanos muçulmanos escravizados e libertos que enfrentaram a ordem escravista em Salvador, no ano de 1835. Passamos ainda pelo Terreiro de Jesus, lugar marcado pela catequização colonial e pela presença das igrejas, hoje também ocupado por trabalhadores e trabalhadoras, capoeiristas, músicos e artistas populares. Cruzamos ainda os largos Quincas Berro D’Água e Tereza Batista, nomes vindos da literatura de Jorge Amado e ligados à vida popular do Pelourinho: rua, festa, boemia, exploração, resistência e mulheres em luta.


Ao passar pela região do Mercado Modelo e do Elevador Lacerda, encontramos o Monumento a Maria Felipa, na antiga Praça Cairu, que atualmente também carrega seu nome. A escultura fica voltada para Itaparica, lugar ligado à história dessa mulher preta, marisqueira, trabalhadora e liderança popular nas lutas da Independência da Bahia. Sua história ficou conhecida pela oralidade do povo baiano, sobretudo do povo preto, antes de ganhar monumento no centro de Salvador. A obra chama atenção para a participação de mulheres pretas, pescadoras, marisqueiras e trabalhadoras que enfrentaram as tropas portuguesas a partir de seus territórios, com organização popular e coragem.


Na mesma região, vimos a Arena da Capoeira, monumento que reúne esculturas de mestres capoeiristas como Bimba, Pastinha, Besouro, Noronha, Waldemar, Canjiquinha, Gato Preto, Caiçara, Aberrê e Mestre Totonho. A homenagem revela uma Salvador construída pela ginga, pelo corpo, pela roda, pelo berimbau, pela mandinga, pela criatividade, pela luta e pela pedagogia preta da rua.


Ao circular por Salvador, nós ficamos admirados e felizes com a quantidade de marcas do povo preto espalhadas pela cidade. Em meio às igrejas católicas e às construções coloniais, apareciam nomes de ruas, praças, parques, monumentos, cores, roupas, guias, gestos e referências ligadas à cultura afro-brasileira e às religiões de matriz africana. Vimos pessoas usando roupas de terreiro e símbolos de pertencimento espiritual com naturalidade nas ruas. As esculturas dos orixás no Dique do Tororó também chamaram atenção pela força estética e espiritual. Salvador nos mostrou uma cidade onde o povo preto se afirma na paisagem, na fé, na arte, no corpo e na vida cotidiana, apesar do racismo religioso e da intolerância religiosa ainda presentes no Brasil.


Já era tarde do dia 19 quando Dhay nos acompanhou até a Feira de São Joaquim. Uma das maiores e mais conhecidas de Salvador, ela reúne peixes, carnes, frutas, verduras, temperos, ervas, artigos religiosos de matriz africana, artesanato, utensílios, comidas e produtos do cotidiano popular da cidade.


Aproveitamos a passagem para comprar algumas coisas e almoçar uma feijoada baiana. Foi uma das mais saborosas que já comi. O restaurante ficava de frente para o mar. Enquanto almoçávamos, era possível ver o movimento das balsas levando pessoas e carros, além das embarcações de carga e dos navios com contêineres.


Por volta das 16 horas, nos despedimos e partimos em direção a Itororó. Antes de deixar Salvador, paramos no Farol da Barra para assistir ao pôr do sol. Havia pessoas reunidas na beira da praia e em volta do forte. Dois artistas de rua se apresentavam: um cantava e tocava violão; o outro fazia percussão em uma caixa de madeira. Ficamos ali por um tempo, olhando o mar, o farol e o movimento das pessoas. Foi nossa despedida de Salvador naquele dia. Depois seguimos viagem.


No dia 20, por volta das 4 horas da manhã, chegamos a Itororó, no sul da Bahia, depois de muitas horas de estrada desde. Descansamos pouco e, ao meio-dia, encontramos Miriam Menezes e Edcarlos Silva na Rádio Itororó FM 105,9. Participamos de uma conversa no programa Falando com Autoridade, espaço conduzido por Edcarlos, radialista e jornalista, com forte ligação com a vida política e comunitária da cidade e da região.


A passagem pela rádio abriu a nossa chegada a Itororó. Ali falamos sobre o Viralizando o Nordeste, sobre o percurso do Esquenta, sobre comunicação popular, território, memória e a importância de construir redes pelo caminho. A rádio foi uma ótima oportunidade para falar diretamente com a população.


Depois da entrevista Miriam e Edcarlos nos levaram para comer a melhor carne de sol do Brasil. Comemos churrasco e outros sabores da região. Também tomamos suco de cacau e de cajá, comemos pão com queijo, ganhamos dim-dim de coco, cocos secos e cacau.


Em seguida, fomos com Miriam para São José do Colônia, lugar ligado à sua origem. No caminho, ela contou que nasceu naquela região, saiu ainda menina, por volta dos 12 ou 13 anos, e que parte de sua família permaneceu ali. A ida ao povoado abriu uma conversa forte sobre migração, infância interrompida, trabalho precoce, promessas de vida melhor em São Paulo e situações duras que ela enfrentou longe de casa.


Em São José do Colônia, conhecemos Dona Maria, mãe de Miriam. Ela teve 21 filhos, dos quais 15 sobreviveram. Esse dado trouxe para a conversa a história de uma mulher pobre, nordestina, marcada por maternidade numerosa, perdas, trabalho, dificuldades de alimentação, pouco acesso a direitos, cansaço, cuidado com os filhos e os limites impostos a tantas mulheres de sua geração.


A história de Miriam também apareceu com muita firmeza. Ela perdeu o pai muito jovem, saiu de sua terra ainda criança e foi para São Paulo com a promessa de estudar, trabalhar e melhorar de vida. O que encontrou foi exploração, privação da escola, controle sobre sua circulação e sobre o dinheiro do próprio trabalho. Sua saída dessa situação contou com coragem e com uma rede de amigas que perceberam seu sofrimento e ajudaram no retorno. Voltar a São José do Colônia, agora adulta, mãe, profissional e com sua família reorganizada, deu outro sentido àquela passagem.


Itororó também trouxe a lembrança da cantiga “Fui no Itororó beber água, não achei”. Só que ali encontramos água, comida, rádio, família, conversa, fruta, carne de sol, acolhida e histórias.


No fim da passagem, Edcarlos reforçou o convite para que voltássemos com mais tempo. Falou do “braço forte” de Itororó e da disposição de apoiar nossa volta à cidade para desenvolver as ações previstas no Viralizando o Nordeste. Miriam e Edcarlos abriram uma rede no interior baiano, com afeto, informação, escuta e compromisso com a continuidade do percurso pelo sul e sudoeste da Bahia.


Foi nas conversas com Miriam que surgiu a ideia do Cine Nordeste em Debate. Ela falou sobre a distância das salas de cinema e sobre como muita gente deixa de frequentar esses espaços por falta de acesso. Comentou também que havia uma possibilidade de construção de um cinema em uma cidade próxima, mas que, mesmo assim, para muitas comunidades, o deslocamento continuaria sendo uma barreira.


Enquanto Miriam falava sobre a distância das salas de cinema e a dificuldade de acesso para muitas comunidades, lembrei das ações que já tínhamos realizado nas favelas de São Bernardo do Campo, por meio do Sessão Favela e do Cine Favela em Debate, projetos ligados ao Núcleo de Comunicação Marginal. Eram exibições de filmes ao ar livre, feitas com uma estrutura simples: um tecido grande esticado em postes, paredes ou caixas d’água, um projetor, uma caixa de som e a comunidade reunida para assistir e conversar depois.


Dessa conversa com Miriam nasceu a ideia do Cine Nordeste em Debate dentro do Viralizando o Nordeste. A proposta é exibir filmes brasileiros em comunidades, praças, escolas, associações, terreiros, quintais, aldeias, quilombos, assentamentos e povoados, sempre que houver condições locais, com pipoca, conversa e debate depois da sessão. Para isso, pretendemos utilizar o catálogo da plataforma Tela Brasil, levando cinema nacional a lugares onde o acesso à tela grande ainda é distante.


No fim do dia 20, deixamos Itororó em direção a Cajamar, no estado de São Paulo. Saímos com vontade de ficar mais tempo, porém precisávamos retomar os compromissos familiares e de trabalho. Trouxemos registros, contatos, aprendizados das conversas, lembranças da família de Miriam e Edcarlos, o sabor da melhor carne de sol do Brasil, dos sucos de cacau e cajá, do dim-dim de coco, dos cocos secos, do doce de leite e do cacau que recebemos deles.


O percurso começou em São Paulo e passou por Minas Gerais, Bahia, Sergipe, Alagoas, Pernambuco e Paraíba. Na volta, fizemos o caminho contrário. Minas Gerais não estava no recorte nordestino do projeto, nem do ponto de vista geográfico, mas merece nosso agradecimento especial. Paramos em terras mineiras para abastecer, comer e dormir, e fomos recebidos com muita cordialidade. Também somos gratos ao estado de São Paulo, que nos acolheu desde a adolescência. Aqui vivemos desafios duros, mas também construímos trabalho, vínculos, família, luta e parte importante da nossa história.


Chegamos a Cajamar no dia 22, por volta das 3 horas da manhã. Desde então, seguimos trabalhando para organizar a continuidade do Viralizando o Nordeste: captação de recursos, estrutura de viagem, equipamentos, planejamento familiar, compromissos de trabalho, organização dos arquivos, edição dos materiais, agradecimentos e articulação com as pessoas que encontramos pelo caminho.


Antes de tudo, agradecemos a Deus, a Jesus e à espiritualidade amiga que nos acompanhou durante todo o percurso. Aos benfeitores espirituais, mentores e amigos do plano espiritual que nos intuíram, ampararam, protegeram e sustentaram nos momentos de cansaço, dúvida, estrada longa e decisão, nossa gratidão sincera.


Agradecemos ainda aos nossos filhos e filha, que também fazem parte dessa caminhada, mesmo quando a estrada nos leva para longe por alguns dias. Aos filhos de Maria da Cruz, Fidel Castro, Juan Guzmaro e João Paulo; e aos meus filhos, João Paulo, Hakim Mariguela e Samira Medeiros, nossa gratidão pelo amor, pela compreensão e pela presença em nossas vidas.


Agradecemos a todas as pessoas que nos receberam, conversaram conosco, abriram portas, ofereceram casa, comida, escuta, orientação, indicação, afeto e compromisso com a continuidade do Viralizando o Nordeste.


Em Pernambuco, nossa gratidão a Jailson, do POESIS Grupo Cultural; Júnior e Mestre Tonho das Olindas, do MNMMR-PE; Alda, do EDPOPRUA/Fiocruz; e Dra. Maria Eliete Santiago, da UFPE/Cátedra Paulo Freire.


Na Paraíba, agradecemos a Dorinha, Edivaldo, Dona Maria de Lourdes, Nicinha, Maria Rafaela e Maria Renata, familiares de Maria da Cruz; Isabelle e Miguel, da Quadrilha Danado de Bom; Bráulio Alves, amigo que nos recebeu em João Pessoa; Cássio Marques, historiador; Dona Maria do Socorro, cozinheira da Pedra de Santo Antônio; e Dona Maria de Fátima, também de Fagundes.


Na Bahia, agradecemos a Viviane Quintela, secretária de Assistência Social de Conde; Lúcia Dalva, coordenadora do CREAS de Conde; Dhay Borges e Fabíola, do Coletivo Resistência Preta; Vandison Teixeira, do Parque São Bartolomeu; Miriam Menezes e Edcarlos Silva, da Rádio Itororó FM; e Dona Maria, mãe de Miriam.


Estendemos esse agradecimento a todas as demais pessoas que cruzaram nosso caminho e cujos nomes as sequelas da Covid-19 não nos permitiram lembrar, mas que também fazem parte dessa travessia.


Agradecemos também a todas as pessoas que contribuíram para que essa primeira experiência pudesse acontecer: quem adquiriu números da rifa solidária, quem fez doações pelo QR Code, quem divulgou o projeto, quem compartilhou nossos pedidos de apoio e quem nos fortaleceu com palavras, mensagens, orações, energia boa e confiança na continuidade dessa caminhada.


A próxima etapa será o percurso completo pelos nove estados nordestinos: Bahia, Sergipe, Alagoas, Pernambuco, Paraíba, Rio Grande do Norte, Ceará, Piauí e Maranhão. A proposta é permanecer, no mínimo, um mês em cada estado, com tempo para conversar, registrar, compreender os territórios, realizar atividades, construir vínculos e produzir junto com as pessoas.


Na versão completa, o Viralizando o Nordeste seguirá com documentação social, registros fotográficos e audiovisuais, entrevistas, diários de bordo, rodas de conversa, articulação territorial, comunicação popular e produção de acervo. Também serão desenvolvidas as ações do Cine Nordeste em Debate, com sessões comunitárias de cinema brasileiro em lugares onde o cinema não chega como direito, e o Nosso Ponto de Vista, com oficinas populares de fotografia, vídeo e comunicação comunitária para crianças, adolescentes, jovens, educadores, mulheres, trabalhadores, lideranças, povos indígenas, comunidades quilombolas, mestres e mestras da cultura e demais pessoas interessadas em narrar seus próprios territórios.


O Esquenta mostrou que a fase completa precisa de tempo, estrutura, apoio e permanência. A estrada abriu caminhos, mas também mostrou limites. Agora, seguimos trabalhando para voltar ao Nordeste com condições de cumprir o roteiro inteiro, realizar as ações previstas e construir cada etapa em diálogo com as comunidades, os movimentos, as escolas, os coletivos, os grupos culturais e as pessoas que encontrarmos pelo caminho.


A carne de sol de Itororó, de fato, é a mais gostosa do Brasil, mas a vontade de voltar é ainda maior.

 
 
 

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