Afrobarroco: livro de Mateus Aleluia, artista baiano, terá distribuição gratuita para escolas e instituições
- 17 de jun.
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O livro inédito Afrobarroco, de Mateus Aleluia, artista baiano, terá 700 exemplares distribuídos gratuitamente para instituições de ensino, projetos de arte e educação, centros culturais, centros comunitários e bibliotecas comunitárias. A iniciativa prioriza escolas e instituições da Bahia, mas também contempla espaços de outros estados.
A obra reúne textos e pensamentos de Mateus sobre educação, oralidade, religiosidade, matrizes culturais e identidade brasileira. O projeto tem como objetivo contribuir com a aplicação das Leis Federais 10.639/03 e 11.645/08, que orientam o ensino da história da África, da cultura afro-brasileira e dos povos indígenas no currículo escolar brasileiro.
Criado por Mateus Aleluia, o conceito de Afrobarroco propõe uma reflexão sobre a riqueza e a complexidade cultural da sociedade brasileira a partir de suas diferentes matrizes. Antes de chegar ao livro, esse pensamento ganhou forma em um espetáculo pedagógico-musical, criado em 2004, e seguiu circulando pelo país em apresentações, encontros e ações formativas.
Bahia no centro da obra e do lançamento
A Bahia ocupa lugar central em Afrobarroco. Mateus Aleluia é um artista ligado ao Recôncavo Baiano, à música afro-brasileira, à oralidade, à religiosidade de matriz africana e aos caminhos culturais que ajudam a formar o Brasil.
O lançamento do livro será no dia 8 de julho, na Biblioteca Central do Estado da Bahia, nos Barris, em Salvador. A atividade terá uma edição especial da palestra musical Afrobarroco, formato desenvolvido por Mateus Aleluia ao longo de mais de duas décadas, reunindo música, narrativa histórica e conversa com o público.
Após o lançamento, alguns exemplares também estarão disponíveis para venda na Livraria Terra Libris, em Salvador. A distribuição gratuita, porém, é uma das principais frentes do projeto, com foco em instituições capazes de multiplicar o livro em salas de aula, bibliotecas, projetos culturais e espaços comunitários.
Um livro para fortalecer a educação
A proposta de distribuir gratuitamente Afrobarroco dialoga diretamente com a educação. A Lei 10.639/03 tornou obrigatório o ensino sobre História e Cultura Afro-Brasileira nos estabelecimentos de ensino fundamental e médio, oficiais e particulares.
Em 2008, a Lei 11.645/08 ampliou essa determinação e passou a incluir também a obrigatoriedade do estudo da história e cultura indígena nos currículos escolares.
Nesse caminho, o livro pode servir como material de apoio para educadores/as, mediadores/as de leitura, bibliotecas comunitárias e projetos de arte e educação. A obra abre espaço para trabalhar temas como ancestralidade, cultura afro-brasileira, povos indígenas, memória, oralidade, religiosidade, identidade nacional e educação antirracista.
O pensamento de Mateus Aleluia
Na divulgação do projeto, Mateus Aleluia afirma: “para a gente voltar a ser o que a gente almeja ser, é necessário descolonizarmos culturalmente a nossa mentalidade, e essa descolonização cultural só poderá ser alcançada através da educação. É imperativo que reestruturemos nossa forma de educar.”
A frase ajuda a entender o lugar do livro. Afrobarroco não chega apenas como publicação literária. Chega como ferramenta pedagógica, cultural e política para pensar o Brasil a partir de suas matrizes africanas, indígenas, populares, religiosas e comunitárias.
Mateus Aleluia é cantor, compositor, instrumentista, pesquisador e integrante histórico de Os Tincoãs, grupo importante da música brasileira por sua ligação com as matrizes afro-brasileiras, os cantos de terreiro e a memória musical do Recôncavo. Em Afrobarroco, ele organiza em livro um pensamento construído ao longo de anos de música, escuta, espiritualidade, pesquisa e educação.
Afrobarroco, educação e território
No caminho do Viralizando o Nordeste, pautas como essa ajudam a acompanhar experiências que aproximam cultura, educação e território. A distribuição gratuita de Afrobarroco para escolas, bibliotecas e projetos comunitários dialoga com uma demanda antiga da educação brasileira: fazer com que crianças e jovens tenham acesso a referências que contem o Brasil a partir de suas matrizes africanas, indígenas, populares e nordestinas.
Na Bahia, essa discussão ganha força pelo próprio percurso de Mateus Aleluia. Sua obra passa pelo Recôncavo, pela música, pela oralidade, pela religiosidade de matriz africana, pela memória e por uma forma de pensar o país a partir de saberes que nem sempre entraram nos livros escolares com a importância que merecem.
Quando um livro como Afrobarroco chega a uma escola, biblioteca comunitária ou projeto de arte e educação, ele pode virar leitura, roda de conversa, oficina, aula, música, pesquisa e escuta. Pode ajudar educadores/as e estudantes a fazer perguntas sobre identidade, ancestralidade, racismo, pertencimento e história brasileira.
Realização e fomento
Afrobarroco é uma realização da Sanzala Cultural, com produção da Talismã Arte e Cultura. O projeto foi contemplado nos editais da Política Nacional Aldir Blanc de Fomento à Cultura na Bahia, realizados com recursos do Governo Federal, repassados pelo Ministério da Cultura, e executados pelo Governo do Estado da Bahia, por meio da Secretaria de Cultura do Estado.
O projeto conta ainda com apoio da Fundação Pedro Calmon, por meio da Biblioteca Central do Estado da Bahia.
Como se inscrever para receber o livro
As inscrições para receber gratuitamente o livro Afrobarroco ficam abertas de 17 de junho a 6 de julho. Escolas, instituições de ensino, projetos de arte e educação, centros culturais, centros comunitários e bibliotecas comunitárias podem se cadastrar pelo link:
O lançamento do livro será no dia 8 de julho, na Biblioteca Central do Estado da Bahia, nos Barris, em Salvador. Após o lançamento, alguns exemplares também estarão disponíveis para venda na Livraria Terra Libris, em Salvador.
As inscrições serão validadas pela organização do projeto. A confirmação, junto com as orientações para recebimento do livro, será enviada por e-mail. A tiragem gratuita é limitada a 700 exemplares.
Com a distribuição gratuita, Afrobarroco pode chegar a espaços onde o livro não fica parado na estante. Pode circular entre educadores/as, estudantes, jovens, crianças, artistas, bibliotecas e comunidades. Na Bahia, terra de Mateus Aleluia e de tantas matrizes que alimentam a cultura brasileira, a obra chega como pensamento, livro e convite para reeducar o olhar sobre a história do Brasil.


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