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Nel Carvalho e a cisterna de placas: o baiano que ensinou o Nordeste a guardar água da chuva

  • há 23 horas
  • 11 min de leitura
Montagem com Nel Carvalho, criança bebendo água, família ao lado de cisterna de placas e horta irrigada no Semiárido.
Montagem com Nel Carvalho, criança bebendo água, família ao lado de cisterna de placas e horta irrigada no Semiárido.

Manoel Apolônio de Carvalho, conhecido como Nel Carvalho, era pedreiro, agricultor familiar e sertanejo baiano ligado à região de Jeremoabo, território que também aparece associado a Sítio do Quinto, na Bahia. Depois, sua trajetória passou por Simão Dias, em Sergipe. O nome dele precisa ser lembrado quando se fala de água no Semiárido brasileiro.


Em 1955, Nel criou a cisterna de placas. A história mais conhecida começa em São Paulo, para onde ele migrou fugindo da seca e em busca de trabalho. Na construção civil, observou uma piscina em obra que acumulava água da chuva. Como pedreiro, entendia de cimento, placa, forma e reservatório. Como sertanejo, conhecia o peso de uma casa sem água. Quando voltou ao Nordeste, adaptou aquela observação para uma necessidade concreta: guardar a chuva que caía no telhado e usar essa água nos meses de estiagem.


A Fundação Banco do Brasil registra 1955 como o ano da criação da cisterna de placas por Nel Carvalho. A mesma cronologia mostra que a tecnologia se espalhou aos poucos pelo Nordeste entre as décadas de 1960 e 1980, passou a ser reaplicada por organizações sociais e órgãos públicos nos anos 1990, ganhou escala com o Programa Um Milhão de Cisternas a partir dos anos 2000 e entrou no campo das políticas públicas federais de acesso à água.


Essa história começa com um homem, uma obra e uma pergunta prática. Depois, passa por comunidades, pedreiros/as, agricultores/as, organizações populares, movimentos sociais e governo federal. A cisterna de placas virou tecnologia social porque deixou de ser uma solução isolada e passou a ser construída, ensinada, cuidada e multiplicada pelas próprias famílias do Semiárido.


Nel Carvalho e a cisterna de placas


Nel Carvalho não veio de laboratório, universidade ou gabinete. Sua escola foi a vida de agricultor, o trabalho de pedreiro e a experiência de quem conhecia a seca por dentro. Ele sabia o que significava depender de água longe de casa, esperar carro-pipa, buscar água em cacimba, açude ou barreiro, economizar cada lata e ver a rotina da família organizada pela escassez.


A cisterna nasceu desse lugar. Nel pegou um conhecimento aprendido na construção civil e colocou a serviço de uma necessidade antiga do sertão. Fez uma estrutura com placas de cimento pré-moldadas, em formato arredondado, instalada perto da casa e ligada ao telhado por calhas. A água da chuva passou a ser recolhida, conduzida e guardada em reservatório fechado.


Em 2005, Nel Carvalho recebeu homenagem do então Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome, com certificado de parceiro do Fome Zero, em reconhecimento à importância da sua criação para o povo do Semiárido.


Mesmo assim, seu nome ainda é pouco conhecido fora dos territórios onde a cisterna mudou a vida cotidiana. O Brasil costuma demorar para reconhecer quem cria solução a partir da roça, da obra, do quintal, do mutirão e da necessidade. No caso de Nel, reconhecer sua história também significa reconhecer uma inteligência popular que ajudou o país a construir política pública.


Mulher e duas crianças enchem balde numa cisterna branca ao lado de casa rural; placa 128.094; dia ensolarado.

A cisterna de placas e o problema real da água


A cisterna de placas não acaba com a seca. A seca faz parte do regime climático de muitos territórios semiáridos. O problema social aparece quando a família não tem estrutura para viver durante os meses sem chuva.


No Semiárido, a chuva costuma cair em poucos meses do ano. Em muitos lugares, chove de forma irregular. Às vezes vem muita água em pouco tempo. Depois passa um longo período sem chover. Com temperatura alta e evaporação forte, a água que não é armazenada rapidamente se perde.


A cisterna responde a esse ritmo do território. Ela capta a água do telhado, leva essa água por calhas e canos e armazena em um reservatório protegido. O modelo mais conhecido é a cisterna domiciliar de 16 mil litros, voltada principalmente para beber, cozinhar e garantir higiene básica da família.


A água guardada perto da casa muda a rotina. Reduz caminhada, diminui a dependência de fontes inseguras, protege a água da evaporação e ajuda a família a atravessar a estiagem com mais segurança.


O Semiárido é território habitado, produtivo e diverso


O Semiárido brasileiro não pode ser tratado como vazio ou atraso. A delimitação atual reconhece 1.477 municípios em 11 estados: Maranhão, Piauí, Ceará, Rio Grande do Norte, Paraíba, Pernambuco, Alagoas, Sergipe, Bahia, Minas Gerais e Espírito Santo. Segundo a ASA Brasil, vivem nesse território cerca de 31 milhões de pessoas, em uma área que corresponde a 15,3% do Brasil.


Esse dado muda a forma de olhar para a cisterna. A tecnologia criada por Nel não atende um canto pequeno do país. Ela conversa com um território grande, populoso, rural e urbano, de roças, cidades pequenas, comunidades tradicionais, agricultura familiar, feiras, escolas, quintais, igrejas, terreiros, associações, sindicatos, juventudes e famílias que aprenderam a viver com chuva irregular.


A seca existe. A falta de água dentro de casa também nasce de desigualdade, ausência de infraestrutura, concentração do acesso à água, saneamento rural insuficiente e políticas públicas que nem sempre chegaram com continuidade.


Em 2024, o IBGE registrou que 93,4% dos domicílios urbanos tinham a rede geral como fonte de abastecimento de água. Nas áreas rurais, esse percentual era de 31,7%.

Esse número ajuda a explicar a importância da cisterna. No campo, muita família vive longe da rede geral. Levar água a essas casas exige soluções adaptadas ao território. A cisterna entra nesse ponto: descentraliza o acesso, aproveita a chuva local e coloca uma reserva de água ao lado da moradia.


Família trabalha na horta rural, regando e capinando perto de casa e cisterna sob céu azul.

A casa também capta água


O funcionamento da cisterna é simples de entender. A chuva cai no telhado. A água escorre pelas calhas. A primeira água, que pode trazer sujeira acumulada no telhado, precisa ser desviada. Depois, a água segue para a cisterna. O reservatório fechado ajuda a evitar evaporação, entrada de animais e contaminação.


A simplicidade exige cuidado. A família precisa limpar calhas, manter a tampa fechada, descartar a primeira água da chuva, retirar a água de forma segura e tratar quando necessário. A cisterna funciona melhor quando vem acompanhada de formação, acompanhamento e orientação sanitária.


Por isso, ela é chamada de tecnologia social. A cisterna não é só uma construção de cimento. Ela envolve capacitação de pedreiros/as cisterneiros/as, participação comunitária, mutirão, gestão familiar da água, controle social e política pública.


O Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome define o Programa Cisternas como uma política de acesso à água para consumo humano e produção de alimentos por meio de tecnologias sociais simples e de baixo custo. O programa foi estabelecido como política pública em 2003 e regulamentado pela Lei nº 12.873, de 2013, pelo Decreto nº 9.606, de 2018, e por normas posteriores.


Do quintal ao programa federal


A trajetória da cisterna mostra uma passagem importante: uma invenção popular entrou na agenda pública do país.


A Articulação Semiárido Brasileiro, a ASA, teve papel decisivo nesse caminho. O Programa Um Milhão de Cisternas, conhecido como P1MC, nasceu no início dos anos 2000 com o objetivo de garantir água de qualidade para famílias rurais do Semiárido, principalmente água para beber. Segundo a ASA, o P1MC já passou por mais de mil municípios, mobilizou e beneficiou mais de 650 mil famílias e alcançou potencial de armazenamento superior a 10 bilhões de litros de água.


A ASA também informa que, desde 2003, cerca de 1,2 milhão de famílias já foram beneficiadas com tecnologias sociais de acesso à água para consumo, produção de alimentos e dessedentação animal, em mais de 1,5 mil municípios de 21 estados.


No governo federal, o Programa Cisternas ganhou força como política de segurança hídrica, combate à fome e inclusão produtiva rural. Em junho de 2026, o MDS informou que, desde 2023, o Governo do Brasil entregou 121.240 cisternas, com maior concentração nos estados do Semiárido e experiências adaptadas para outros territórios, como Amazônia, Mato Grosso do Sul e Rio Grande do Sul.


Em 2026, o governo federal também publicou a Portaria MDS nº 1.185/2026, atualizando normas do Programa Nacional de Apoio à Captação de Água de Chuva e Outras Tecnologias Sociais de Acesso à Água, conhecido como Programa Cisternas.


A política pública ampliou uma solução que já tinha sido testada pelo povo. Essa é uma das forças dessa história. O Estado não inventou a cisterna de placas. O Estado passou a financiar, organizar, normatizar e expandir uma tecnologia popular criada no Semiárido.


Da política do favor ao direito à água


Durante muito tempo, a seca foi usada como ferramenta de dependência política. Em muitos territórios, a chegada da água passava pelo caminhão-pipa, pelo intermediário local, pela promessa eleitoral, pela obra anunciada e pela espera. A expressão “indústria da seca” nasceu dessa crítica: a escassez foi administrada de um jeito que mantinha famílias dependentes.


A cisterna de placas altera essa relação. Quando a água fica perto da casa, a família ganha autonomia sobre uma parte essencial da vida. Continua precisando de política pública, chuva, manutenção e apoio técnico. Ganha, porém, uma reserva própria para beber e cozinhar.


Água não é favor. A Organização das Nações Unidas reconhece o acesso à água e ao saneamento como direito humano. Esse direito exige água disponível, acessível, aceitável e de qualidade, sem discriminação, e obriga os Estados a reduzir desigualdades entre populações rurais e urbanas, ricas e pobres, formais e informais.


A cisterna de placas ajuda a realizar esse direito em lugares onde a rede geral não chega ou chega pouco. Ela não substitui saneamento rural, abastecimento público, proteção ambiental e outras políticas. Ela integra um conjunto de respostas necessárias para garantir vida digna no campo.

Menina com balde diante de cisterna branca; mulher com criança ao fundo, casa simples e céu azul; placa 06.499.

Crianças também carregaram água


Uma matéria sobre cisterna precisa falar de infância. Em muitas comunidades rurais, crianças e adolescentes cresceram acompanhando mães, avós e irmãos/as na busca por água. Caminhar no sol, carregar balde, lata ou galão, esperar a vez em uma fonte, voltar para casa com o corpo cansado. Essa cena fez parte da vida de muita gente no Semiárido.

A falta de água pesa na infância de vários jeitos. Aumenta o risco de doença. Dificulta banho e higiene. Complica o preparo da comida. Toma tempo que poderia ser de escola, brincadeira e descanso. Em muitas casas, a criança aprende cedo a economizar água porque sabe que cada balde custou caminhada, espera e esforço.


Quando uma cisterna chega perto da casa, a mudança aparece no cotidiano. A criança não precisa sair tantas vezes para buscar água. A família tem melhores condições de cozinhar, cuidar da higiene, mandar os/as filhos/as para a escola e atravessar os meses secos com menos aperreio.


A ASA associa o acesso à água por meio das cisternas a impactos como aumento da frequência escolar, redução de doenças diarreicas e liberação do tempo de mulheres e meninas antes responsáveis pela busca de água.


No campo dos direitos humanos, isso é central. Criança e adolescente não podem ser tratados como força de trabalho para suprir a ausência de política pública. Água perto de casa também é proteção da infância.


Mulheres, tempo e cuidado

A busca por água sempre teve peso desigual dentro das famílias. Em muitas comunidades, mulheres e meninas foram as principais responsáveis por organizar o uso da água dentro de casa. Buscar, economizar, separar para beber, cozinhar, lavar, cuidar de criança, cuidar de pessoa idosa, cuidar de animal pequeno.


Quando falta água, o tempo das mulheres fica preso à escassez. Tempo de andar. Tempo de esperar. Tempo de carregar. Tempo de calcular o que pode ou não pode ser feito com a pouca água disponível.


Avaliações reunidas pelo MDS associam o Programa Cisternas à redução do tempo gasto por mulheres na coleta de água. O mesmo conjunto de estudos aponta efeitos em saúde, renda, trabalho e permanência das famílias no território.


Essa dimensão precisa aparecer sem romantização. A cisterna não elimina a sobrecarga histórica das mulheres no cuidado doméstico. Ela reduz uma parte pesada dessa sobrecarga e cria melhores condições para estudo, produção, participação comunitária, descanso e autonomia.


Saúde pública começa na água


Água insegura adoece. Famílias que dependem de açudes, barreiros, cacimbas, poços contaminados ou fontes distantes ficam mais expostas a diarreias, verminoses e outras doenças de veiculação hídrica. Crianças, pessoas idosas e pessoas com saúde fragilizada sofrem mais.


O MDS divulgou estudos que apontam impacto do Programa Cisternas na saúde da população. Em áreas de cobertura do programa, foi registrada queda de internações por doenças relacionadas à qualidade da água, com redução de 16% nas internações de adultos e 37% nas internações infantis, segundo estudo citado pelo ministério.


A informação reforça uma ideia simples: cisterna também é prevenção em saúde. Água protegida, quando bem manejada, evita sofrimento, gasto, deslocamento até hospital e perda de dias de escola e trabalho.


Essa parte exige responsabilidade. A cisterna precisa de cuidado sanitário. Reservatório mal fechado, calha suja, retirada inadequada da água e falta de tratamento podem comprometer a qualidade da água. O direito à água inclui quantidade e qualidade. A obra precisa vir junto com formação permanente.


Água para beber, água para produzir


A cisterna de 16 mil litros, chamada muitas vezes de primeira água, é voltada ao consumo humano: beber, cozinhar e necessidades básicas. Com o avanço das políticas de convivência com o Semiárido, outras tecnologias passaram a apoiar a produção de alimentos e a criação de pequenos animais.


O próprio MDS lista diferentes tecnologias sociais no Programa Cisternas, como cisterna-calçadão, cisterna de enxurradas, barreiro-trincheira familiar, barragem subterrânea e sistemas pluviais adaptados a diferentes territórios.


Esse conjunto amplia o debate. Água para beber protege a vida da família. Água para produzir fortalece agricultura familiar, quintais produtivos, criação de pequenos animais, agroecologia e segurança alimentar.


A cisterna criada por Nel abriu uma porta. Depois dela, o Semiárido mostrou que havia muitas formas de captar, guardar e usar água com inteligência local.


Operários rebocam um grande reservatório branco no quintal rural; menina observa, com casa de telhado vermelho ao fundo.

Economia local e trabalho de cisterneiros/as


A construção de cisternas também movimenta a economia dos territórios. Precisa de cimento, areia, ferragem, calha, tampa, transporte, ferramentas e mão de obra. Forma pedreiros/as cisterneiros/as. Gera renda nas comunidades. Valoriza saberes de construção que já existem no lugar.


Esse ponto é importante porque tecnologia social não é obra fria. Ela envolve gente. Um/a cisterneiro/a aprende a técnica, trabalha perto de sua comunidade, ensina outras pessoas, acompanha famílias e participa da circulação de conhecimento.


A cisterna também fortalece o controle social. A comunidade acompanha seleção de famílias, execução, qualidade da obra e uso da água. Quando a política pública funciona com participação, o povo deixa de ser visto como beneficiário passivo e passa a atuar na execução e no cuidado da tecnologia.


Caatinga, clima e defesa do território


Falar de cisterna também exige falar de Caatinga. O bioma é exclusivamente brasileiro, adaptado a longos períodos de estiagem e central para a vida de milhões de pessoas no Semiárido. Tratar a Caatinga como “mato seco” é erro grave. Ela guarda biodiversidade, alimento, remédio, lenha manejada, sombra, solo, cultura e conhecimento.


A degradação da Caatinga piora a vida das famílias. Desmatamento, queimadas e solo exposto reduzem infiltração de água, aumentam erosão e ampliam processos de desertificação. O MapBiomas registrou que, em 2024, a Caatinga ficou em terceiro lugar entre os biomas em área desmatada no Brasil, com 174.511 hectares, o equivalente a 14% da área desmatada no país naquele ano.


A cisterna ajuda na adaptação ao clima, porque permite guardar água de chuva em um território de estiagens recorrentes. Ainda assim, ela precisa andar junto com recuperação da Caatinga, manejo do solo, agroecologia, proteção de nascentes, assistência técnica, saneamento rural, segurança alimentar e combate à pobreza.


A seca continua sendo acompanhada no Brasil pelo Monitor de Secas, coordenado pela Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico. Em abril de 2026, a ANA informou que a área com seca diminuiu no Nordeste, Centro-Oeste e Sudeste, enquanto aumentou no Sul; no país, a área com seca caiu de 54% para 49% do território nacional naquele período de atualização.


Esse monitoramento mostra que a pauta de Nel Carvalho segue atual. A cisterna nasceu em 1955, mas o desafio de garantir água segura em tempos de crise climática permanece no presente.

Pessoas conversam ao redor de uma cisterna branca em área rural seca, com baldes, casa simples e céu azul.

Limites da cisterna e dever do Estado


A cisterna é uma solução forte. Precisa ser tratada com honestidade. Ela depende de chuva, telhado adequado, boa construção, manutenção, limpeza, manejo correto, descarte da primeira água, orientação sanitária e políticas complementares. Em períodos prolongados de seca, uma cisterna pode não garantir água para o ano inteiro.


Esse limite não diminui a importância de Nel Carvalho. Pelo contrário: ajuda a colocar a cisterna no lugar certo. Ela faz parte de um sistema de convivência com o Semiárido. Precisa caminhar com outras políticas: abastecimento emergencial quando necessário, saneamento rural, recuperação ambiental, assistência técnica, renda, escola, saúde, produção de alimentos e participação comunitária.


O Governo Federal tem responsabilidade direta nessa ampliação. O Programa Cisternas mostra que uma tecnologia criada pelo povo pode ser assumida pelo Estado e ganhar escala nacional. Para isso, precisa de orçamento, continuidade, fiscalização, transparência e escuta das organizações que atuam nos territórios.


O lugar de Nel na memória do Semiárido


Nel Carvalho não criou chuva. Criou um modo simples de guardar a chuva que já caía sobre as casas. Essa diferença explica a força da sua invenção. A cisterna de placas nasce de uma pergunta prática, feita por alguém que conhecia cimento e conhecia seca.


Seu nome deve aparecer ao lado das famílias que usam a tecnologia, dos/as pedreiros/as que a constroem, da ASA, das organizações comunitárias, das políticas federais e de todas as pessoas que ajudaram a transformar uma ideia em patrimônio coletivo.


No caminho do Viralizando o Nordeste, essa história tem lugar certo. Ela fala de migração, retorno, seca, infância, mulheres, Caatinga, direito à água, educação popular, política pública e permanência no território. Fala de um Nordeste que inventa solução, organiza conhecimento e cobra do Estado o reconhecimento devido.


A cisterna de placas é cimento, chuva, técnica, formação e política pública. Também é memória de um pedreiro sertanejo que olhou para uma piscina em construção e enxergou uma resposta para milhares de famílias que precisavam guardar água para viver com dignidade.

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