Viralizando o Nordeste inicia Esquenta de expedição cultural e retoma jornada de memória pelos nove estados nordestinos
- 27 de abr.
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Um projeto de comunicação, fotografia documental e valorização cultural que começa a ganhar estrada a partir de Pernambuco, Paraíba e Bahia.
Depois de anos em compasso de espera, o projeto Viralizando o Nordeste começa finalmente a sair do papel e a transformar planejamento em movimento concreto.
Idealizado pelo fotógrafo documental, comunicador popular e educador social Léo Duarte, o projeto nasce da necessidade de percorrer os nove estados nordestinos para documentar histórias, personagens, territórios de luta, manifestações culturais, experiências comunitárias e memórias que sustentam a identidade profunda da região.
Concebido originalmente em 2020, o Viralizando o Nordeste foi pensado como uma grande travessia de escuta e documentação social. A proposta previa colocar o pé na estrada em janeiro de 2022, reunindo fotografia, audiovisual, entrevistas, produção textual e ações de comunicação capazes de construir um amplo acervo narrativo sobre o Nordeste contado a partir de dentro, pela voz de seu próprio povo.
Circunstâncias materiais impediram a realização naquele momento e o projeto precisou ser adiado. Durante esse período, a ideia permaneceu amadurecendo, ganhando novos contornos e aguardando a conjuntura adequada para ser retomada com mais consistência.
Um reencontro que reacendeu a estrada
A retomada do projeto acontece agora em uma nova etapa marcada por um reencontro profundamente simbólico. Léo Duarte volta a encontrar Maria da Cruz Sousa Santos, educadora, diretora escolar e articuladora pedagógica, companheira de trajetória conhecida desde 1995 durante o histórico 4º Encontro Nacional de Meninos e Meninas de Rua, realizado em Brasília.
Trinta anos depois, as histórias voltam a se cruzar e passam a convergir para uma construção coletiva. Maria da Cruz integra a coordenação desta nova fase somando sua experiência em processos formativos, leitura territorial, mediação pedagógica e articulação institucional. A presença dos dois confere ao Viralizando o Nordeste uma dimensão ainda mais humana, educativa e socialmente comprometida.
O que era uma ideia guardada transforma-se, assim, em uma expedição compartilhada de memória, cultura e comunicação.
Uma travessia para documentar o Nordeste por dentro
O Viralizando o Nordeste não foi concebido como roteiro turístico nem como simples cobertura de paisagens. A proposta central é percorrer territórios onde a história nordestina foi escrita por mãos anônimas, comunidades tradicionais, movimentos populares, experiências de sobrevivência coletiva, manifestações de fé, arte e resistência.
A cartografia da expedição inclui lugares emblemáticos que representam capítulos fundamentais da memória social brasileira, como Canudos, Serra da Barriga, Engenho Galileia, Sapé, Caldeirão da Santa Cruz do Deserto, Grota de Angico, Campo Maior, Caxias e dezenas de outros pontos distribuídos pelos nove estados da região.
Cada parada será tratada como território de escuta. Ao longo do percurso serão produzidos ensaios fotográficos documentais, mini documentários, entrevistas, reportagens, artigos, registros de bastidores, rodas de conversa, oficinas e conteúdos digitais capazes de transformar cada experiência vivida em memória compartilhada.
Esquenta Viralizando o Nordeste marca o primeiro passo da jornada
Antes da travessia integral pelos nove estados, o projeto inicia uma fase estratégica de preparação chamada Esquenta Viralizando o Nordeste. Esta etapa funcionará como movimento inaugural de reconhecimento territorial, construção de parcerias, articulação político-pedagógica e produção dos primeiros conteúdos de campo.
O Esquenta começa entre 2025 e 2026 a partir de Pernambuco, onde a equipe participará de agenda vinculada ao Seminário Internacional da Cátedra Paulo Freire, na Universidade Federal de Pernambuco. A presença nesse circuito abre diálogo com educadores, pesquisadores, movimentos sociais e experiências diretamente conectadas à tradição de educação popular que inspira o projeto.
Na sequência, a jornada seguirá para a Paraíba e para a Bahia, estados escolhidos como pontos iniciais de observação, articulação e reconhecimento de possibilidades para a grande expedição nordestina.
Essa etapa preparatória será decisiva porque dela nascerão os primeiros diários de bordo, entrevistas, registros fotográficos, reportagens especiais e boletins audiovisuais que passarão a alimentar as plataformas oficiais do Viralizando o Nordeste.
O projeto começa, portanto, em movimento — e o movimento já começa produzindo memória.
Comunicação, cultura e disputa de narrativa
Em um país ainda marcado por estereótipos e simplificações sobre a região nordestina, o Viralizando o Nordeste assume a tarefa de construir uma narrativa comprometida com a complexidade, a inteligência social, a produção cultural e a dignidade histórica desse território.
Cada fotografia, cada depoimento, cada entrevista e cada texto publicados ao longo da expedição terão a função de ampliar visibilidade para histórias pouco contadas, personagens invisibilizados e experiências coletivas que ajudam a sustentar a alma do Nordeste brasileiro.
Não se trata apenas de mostrar lugares. Trata-se de registrar permanências, conflitos, afetos, pedagogias, espiritualidades, formas de trabalho, práticas culturais e modos de resistência que continuam pulsando longe dos grandes centros de poder.
A estrada começou
O Viralizando o Nordeste entra agora em sua fase pública de mobilização, produção de conteúdo e construção de rede de apoio. A partir deste blog, serão publicados os bastidores da expedição, notícias de percurso, registros fotográficos, matérias especiais, agendas e relatos produzidos em campo.
A estrada começou a ser preparada. Os encontros já começaram a acontecer. Os primeiros passos já estão sendo dados.
E cada quilômetro percorrido levará consigo histórias que o Brasil precisa voltar a ouvir.



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